Comida afrodisíaca – tudo o que precisa de saber

Pega em mel e em óleo de noz-moscada, pimenta preta, musgo, e faz uma pasta para untar o pénis ou períneo. Faz isso durante três dias porque deste modo se excitam os prazeres do amor

Amedée Doppet

Esta é uma poção retirada de um tratado sobre afrodisíacos de 1788 [1].

O que sabemos sobre a comida afrodisíaca? São vários os factores tidos em conta quando se atribuem qualidades afrodisíacas aos alimentos. Vamos olhar para os mais comuns:

Aspecto

O que é que cenouras, espargos, pepinos e enguias têm em comum? Ora nem mais, alimentos que apresentam uma forma fálica por si só conquistam atributos afrodisíacos. Por outro lado os figos, as ostras e o caviar, dado o seu hipotético mimetismo da anatomia feminina, encontram igualmente suporte no mundo do afrodisíaco.

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Cenouras com diferentes tamanhos, formas e cores. / Carrots with different sizes, shapes and colours. Image by Christian Guthler from Flickr (CC BY 2.0)

Olfacto

O olfacto é um dos sentidos com maior relevância na alimentação, e tem também um papel na alimentação afrodisíaca. As trufas são um excelente exemplo, que não obstante o seu aspecto verrugoso, conquistam um estatuto de afrodisíaco por possuírem elevadas quantidades de androsterona (hormona sexual).

Simbolismo

O simbolismo pesa em tudo na vida, e serve também como um factor na procura da comida afrodisíaca. Ou porque é imoral, raro, inacessível, caro e luxuoso – como no caso de certas partes de animais que são usadas para fins afrodisíacos – ou então por ser precisamente o oposto. Este é o factor mais abrangente em que cada cabeça terá, ou não, liberdade para impor o seu próprio gastroerotismo. Pedimos apenas que deixe de fora os inocentes rinocerontes, tubarões, tigres e afins, já que a crueldade é o oposto de afrodisíaco.

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O único efeito afrodisíaco da barbatana de tubarão / The only aphrodisiac effect of shark fin. Image by Blowing Puffer Fish from Flickr (CC BY 2.0)

O que é que a ciência tem a dizer sobre os afrodisíacos?

Sabe aquele amigo que desacredita tudo o que se lhe conta, especialmente se a informação tiver vindo de uma revista ou programa da tarde? Esse seu amigo teimoso é como a ciência. O que a ciência tem a dizer quanto à comida afrodisíaca pode divergir do conhecimento popular.

Afrodisíacos indirectos

A ciência chama de afrodisíaco indirecto a tudo o que possa melhorar o apetite erótico. Surge assim na lista o álcool (a par de outras drogas), que na dose certa, ampliam a percepção sensorial. De certa forma, tudo quanto se queira poderá ser um afrodisíaco indirecto.

Afrodisíacos - a realidade

O tão badalado Pau-de-Cabinda (Pausinystalia johimbe) é de facto o único verdadeiro afrodisíaco de origem vegetal. Esta planta possui um composto designado ioimbina, que é responsável pela vasodilatação na zona lombossagrada, que ao irrigar a zona genital… já está a ver onde é que isto acaba.

De uma maneira geral, todos os constituintes nutricionais, como os hidratos de carbono, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais são intervenientes necessários para que a comida actue como afrodisíaco. A química fundamental que constitui a comida do dia à dia é inequivocamente responsável pelas nossas mais básicas funções vitais, e isso naturalmente se aplica à sexualidade. Não será portanto de admirar que certos défices alimentares possam criar dificuldades neste campo.

No entanto, é de salientar que o contexto é tão importante como a comida. O ambiente que rodeia o acto de comer uma refeição, quer deliberadamente afrodisíaca ou não, em muito pode estimular o interesse sexual. Neste aspecto, a apresentação da comida, as bebidas que a acompanham, bem como os estímulos visuais e auditivos do restaurante (ou outro local de refeição) podem ajudar a desenvolver o erotismo.

Referências
[1] Doupet, Amedée (1788) Aphrodisiaque externe ou Traité du fouet et de ses effets sur le physique de l’amour : ouvrage médico-philosophique
[2] Pasini, Willy (1997) A Alimentação e o Amor. Lisboa: Difusão Cultural

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