A Casa Oriental fechou – Porto

Casa Oriental

in memoriam

A mítica mercearia, que para muitos fornecia o melhor fiel amigo, fechou. Sombreada pelo mais imponente ex-líbris da cidade, a Torre dos Clérigos, era uma local de presença habitual da comunidade portuense há mais de um século. Agora, tem os seus vidros caiados e as suas entranhas despidas dos produtos de que tantos se habituaram, ao longo de gerações. Não era só o bacalhau, mas também os chás e os cafés, que lhe celebravam o nome, e os vinhos, os frutos secos, os queijos, os frescos. Na nossa memória colectiva ficará a alma deste lugar, para os futuros talvez apenas o fantástico letreiro com motivo colonialista, que não sai certamente por força de protecção como património cultural. O letreiro será o seu epitáfio, e por ser mais belo sobreviverá, ao contrário de muitos outros antigos letreiros que saem de seus suportes por toda a cidade. O que lhe sucederá para nós ainda é mistério, mas há rumores de que se converterá num espaço de restauração.

Deixamos um apelo para quem não quer ver a sua cidade despida do seu carácter: visitem, frequentem e comprem em locais tradicionais. Façam força para que estes locais consigam sobreviver, não só através da receita, mas também na luta contra a selvática subida das rendas e senhorios impiedosos. Cuidemos da nossa cidade.

E para quem nos visita, repetimos o conselho. A força motriz do turismo pode também salvar muitas das lojas que infelizmente pelo turismo muitas vezes fecham.

Fica o apelo para que este Natal, quem não tinha ainda desistido, que continue sem desistir, e que escolha o comércio tradicional para trazer o bacalhau à mesa.

Até sempre, Casa Oriental.

 

NOVOS DESENVOLVIMENTOS:

A Casa Oriental reabriu com nova gerência, tendo abolido o seu prévio conceito de mercearia tradicional. O interior foi completamente remodelado (e muito mal, na nossa opinião). Vende agora diversos produtos que mais se destinam à clientela turística.

Casa Oriental
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2 replies on “A Casa Oriental fechou – Porto

  • Manuela Costa e Almeida

    Fiquei mesmo com muita pena quando me ia dirigir para lá e não vi os bacalhaus pendurados. Pensei que não estava a ver bem. Entrei ainda convencida que o mobiliário ainda lá continuavam as não. Como é possível? O turismo está a dar cabo das nossas perolas de mais de cem anos.

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    • Amass. Cook.

      Partilhamos a sua opinião. Apesar da dinamização que o turismo veio trazer a alguns aspectos do comércio e da reabilitação urbana, nem tudo (ou muito pouco) é feito como deve ser. Há muita ganância e falta de identidade. A perda de património cultural e arquitectónico deveria ser mais estritamente acautelada pelas entidades competentes. Só esperamos que eventuais medidas venham a tempo. Mas para locais como a Casa Oriental, já vêm tarde demais.

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